Cismando
Não era noite. Ainda. A tarde apenas puxava
a porta do dia. Da janela eu puxava o fio de
antiga ternura. Tão antiga, tão esquecida,
que não me reconheceria. Aqueles últimos
raios vermelhos, me incendiaram.
Logo se fez noite. No silêncio o barulho de
quem volta ao seu canto. De quem conhece um
canto. Ali fiquei - sombra na janela. Quieta,
sem cantos, sem planos. Deixando a noite
entranhar.
maria izabel