Tributo
Quando Domingas adoeceu
contava oitenta e um anos de idade. Ainda
assim, espigada, se fez forte.
Inscreveu-se no segundo semestre da
faculdade, convidou as amigas para o chá
no seu aniversário e continuou tocando a
vida. Uns dias melhores, outros nem
tanto...
Naquele final de tarde, sexta-feira, três
meses depois do começado, já se contavam
os sete dias. A missa das seis estava
repleta. Elisa, uma das filhas, sentou-se
ao piano e tocou várias das canções que a
mãe amava. O coral da igreja se fez
presente. Vozes em harmonia, como alegre e
harmônica era Domingas.
Ao final do rito todos se sentaram e uma
voz única encheu a pequena capela com a
Ave Maria. O sol despediu-se devagarzinho
e a noite cuidadosamente como nossas
lembranças aguardou pra entrar.
Quem ainda não tinha chorado deixou-se
fluir.
Domingas por certo, como todos nós, deve
ter ficado emocionada...
maria
izabel