Costuras
Maria é
costureira. Desajeitada!
Refaz muitas vezes a mesma costura.
O marido foi embora, outros homens vieram,
e foram.
Separa as partes, as marcas ficam.
Esgarçado o tecido.
Rasgam-se, panos e Maria.
De alguns sentiu falta, de outros ainda
tem as marcas.
Difícil esquecer.
O desenho da estampa nunca combina.
Destoa!
Ela quieta, quente, sonhante. Eles
desejosos, às vezes, apenas donos.
Resolveu tentar um tom só. Difícil
confundir.
Cama quente, e só, que aplacasse a fome
grande que vem do ventre.
Mas ficou tão monótono, que acabou
costurando trocado, enfiou os pés nas mãos
e... refez.
Marcado, rasgado, esgarçado, tudo de novo.
Voltou aos estampados, bolados, florados,
disfarçam os pontos abertos, grandes, mal
alinhavados.
Ainda costura, ainda se rasga.
Costura com pouca linha, muita força e
cor, sentidos aguçados, gestos assustados,
medo de romper. Por que as coisas que quer
se alinhavam tão vagarosamente?
maria
izabel